cidade . ano 3 . número 34 . novembro de 2008
 
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Formosa conta a história de Goiás

Uma das raras residências preservadas em Formosa.

A Enciclopédia dos Municípios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) editada na década de 1960 possui vários volumes, todos digitalizados em 2000, e que tem sido uma importante fonte de referência, para os estudiosos da vida municipal brasileira. O Município de Formosa está entre os mais de mais de dois mil existentes na época, que teve sua história contada, desde a chegada dos primeiros desbravadores. Aproveitamos as informações e organizamos em uma cronologia histórica até finais dos anos 50, feitos pelos levantamentos para essa Enciclopédia.

Os textos são do IBGE, porém organizados e adequados de modo a enfatizar os períodos da História política.  As fotos são meramente ilustrativas da paisagem urbana.  

 
O Coreto na década de 1960. Fonte: IBGE   Foto atual do Coreto.

  
PERÍODO COLONIAL

1733 - O território municipal foi penetrado, pela primeira vez, por aventureiros, vindos às minas dos Guaia­ses em busca de ouro, muito antes da formação da atual cidade de Formosa, quando então duas picadas punham em comunicação o sertão com os canais da Bahia e Minas Gerais. Ambas as picadas cortavam o município de Formosa.

Foram estabelecidos dois registros, um na parte setentrional da Lagoa Feia, muito próximo da atual localidade, e o outro, o de Arrependidos, distante 90 km da cidade. Ambos com o fim de “dar caminhos aos canais francos e evitar prejuízos na extração do ouro e a perda dos quintos reais".

A essa época pertencia o território goiano à Capitania de São Paulo Para proteção dos carregamentos de ouro, retirado das minas descobertas pelos bandeirantes, o Governador da Capitania, Conde Sarzedas, solicitou providências ao Rei de Portugal, D. João V, surgindo, em conseqüência, a Lei de 27 de outubro de 1733.

1734 - Em dezembro de 1734, foi determinada a convocação de uma junta encarregada do estudo do assunto, que baixou resoluções sobre a criação de registros e outras.

1736 - No inicio do arraial, a região estava subordinada judiciariamente ao foro do arraial de Santa Luzia e Santo Antônio da Boa Vista, da Comarca de Minas e de Vila Boa de Goiás.

Para execução dessas resoluções, veio a Goiás o Governador, que pôs em hasta pública os direitos de cobrança dos impostos das estradas, direitos esses arrematados por Bernardo Fernandes Guimarães, no início do ano de 1736. Pelo regimento que lhe foi dado, estipulou-se a criação de registros e a nomeação de pessoas idôneas para a cobrança de impostos.

Da tropa de dragões comandada pelo Capitão José de Morais Cabral, que veio a Goiás, retiraram-se os primeiros guardas para o registro de Lagoa Feia. Os dois registros foram os primeiros pontos de penetração do município.

Pelas picadas que cruzavam o município de Formosa, passaram notáveis bandeirantes, como Urbano do Couto, que deu denominação a diversos acidentes geográficos, e Antônio Bueno de Azevedo, que descobriu as minas de ou de Santa Luzia (atual Luziânia).

O Governador da Capitania de Goiás, D. Marcos Noronha, mais tarde Conde dos Arcos, também trafegou por aqueles caminhos.

Nos meados do século 18 um povoado cresceu logo abaixo da embocadura do Itiquira com o Paraná: o arraial Santo Antônio.

Povoação efêmera, levantada em local insalubre, não era visitada pelos que demandavam de Minas Gerais e da Bahia, para comerciar tecidos, ferragens, sal e café, em troca de gado, couros, salitre e outros produtos do vale do Paraná.

Dizimados pelas febres, os habitantes pereciam às centenas, anualmente. Transferiram-se, então, para o local em que vinham mercanciar, surgindo assim o arraial dos Couros, primitivo nome de Formosa (1736-1750).

A denominação de Couros deu-se em virtude de as casas serem cobertas de peles de gado bovino.

As primeiras habitações foram edificadas no local onde fica hoje a Rua Sérgio Teixeira, em Formosa.

Edificada a povoação de Couros, esta prosperou em virtude da salubridade de seu clima e do movimento comercial. O vale já gozava de certa fama. Mineradores enriquecidos em outras regiões para ai se dirigiam, comprando fazendas de criar. Amparados pelo comércio de Couros, prosperaram, como há vestígios indeléveis por toda a Zona.

O povoado prosperava e surgiam as primeiras casas de telhas. Transformou-se em vidente vila, que recebeu o nome de Vila Formosa da Imperatriz.

Com o aumento da população e o estabelecimento de novos comerciantes e industriais, foi elevada à categoria de cidade, com o nome atual.

Por tradição, supõe-se a existência de indígenas na região, dando atestado de sua presença as estranhas inscrições nas grutas situadas na fazenda Araras, inscrições que até hoje podem ser admiradas.

Formosa nasceu em decorrência das picadas dos canais já mencionados e do comércio de tropeiros com as gentes do arraial de Santo Antônio e do vale do Paraná. O município não gozou da fama lendária das minas de ouro, pois nenhum fevereiro foi ali descoberto. Teve a seu favor um clima privilegiado, uma fauna excepcional e uma flora exuberante.

1767 - Em 1767 havia uma casa de oração em o arraial de Couros.

1772 - Durante o Governo de Soveral de Carvalho (1772-1778) foi criada a Companhia de Ordenanças, aproveitada mais tarde, pela reforma de Cunha Matos (1823). Nesse mesmo governo o Ouvidor de Goiás erigiu o povoado a julgado de Couros, para dois anos depois ser o julgado transferido para Cavalcante, povoação de mais significação.

Uma casa em estilo colonial carregada de cores modernas.

IMPÉRIO

1830 - Só depois de 1830 que a população urbana aumentou. Famílias de Santa Luzia (Luziânia) e Paracatu, Minas Gerais, para ali afluíram, atraídas pelo comércio intenso. Essa característica primária do município continua impressa em sua economia, até a data presente, pois Formosa é uma cidade comercial. Sempre teve vida própria. Nos primeiros anos de sua existência foi esquecida pelos poderes públicos.

1833 – Formosa foi novamente elevada a julgado pelo Conselho do Governo da Província, em sessão de 19 de abril de 1833.

1835 - Em 1835 dois acontecimentos importantes se verificaram: o primeiro data de 25 de fevereiro, quando se estabeleceu uma linha de correio mensal entre Santa Luzia e Couros e, o segundo, de 10 de junho, quando Manoel Monteiro Guimarães era nome do agente do correio da localidade.

Outro acontecimento foi à criação da Coletoria das Rendas Gerais, sendo nomeado coletor José Gomes Curado. A primeira notícia de escola primária em Formosa é a que se refere à nomeação de Fidêncio de Souza Lobo para professor vitalício de primeiras letras em Couros.

1838 - Por Lei provincial, o julgado foi elevado à categoria de freguesia de natureza coletiva, em 1º de agosto de 1838.

1839 - Em 1839 o julgado de Couros pertencia ao município de Luzia, comarca de Santa Cruz.

1843 - A 1º de agosto de 1843, por Lei provincial, Couros foi elevado à vila, com o nome de Vila Formosa da Imperatriz, tendo sido instalada a 22 de fevereiro do ano seguinte (1844), sendo presidente da Câmara o Capitão Lázaro de Meio Álvares.

1851 – Formosa em 1851 passou a fazer parte da comarca de Paranaíba, com sede em Catalão.

1855 - Pela Lei nº 12, de 24 de novembro de 1855, Formosa passou a fazer parte, com São Domingos e Flores, da comarca do Rio Paraná.

1875 - Já Resolução nº 341, de 18 de dezembro de 1875, no governo de Antero Cícero de Assis, eleva Formosa à comarca, tendo sido instalada em 17 de setembro do mesmo ano, pelo Decreto de 9 de julho de 1881, declarada de primeira entrância.

1877 - Em 21 de julho de 1877, pela Lei provincial nº 574, a Vila Formosa da Imperatriz foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Formosa da Imperatriz, tendo sido instalada no dia 16 de setembro do mesmo ano, desmembrando-se de Santa Luzia. Não se sabe qual o Ato que criou o distrito de Couros.

1884 - A primeira eleição de que há notícia em Formosa ocorreu no dia 29 de setembro de 1884, para eleger Deputados à Assembléia-Geral Legislativa do Império.

Construção eclética do início do século passado.

REPÚBLICA

1926 - Formosa teve telégrafo provisório em 1926, quando as forças expedicionárias ali estagiavam, dando caça aos revoltosos comandados pelos generais Carlos Prestes e Miguel Costa.

1928 - Em 7 de setembro de 1928, o telégrafo foi inaugurado definitivamente.

1936 - Nas divisões territoriais datadas de 31/12/1936 e 31/12/1937 e, bem assim, no quadro anexo ao Decreto-lei estadual nº 557, de 30 de março de 1938, Formosa, juntamente, com os Termos de Planaltina e São João d’Aliança, constitui a Comarca de Formosa.

1938 – Decreto-lei estadual nº. 1.233, de 31 de outubro de 1938, para vigorar no qüinqüênio 1939-1943, a Comarca de Formosa era formada pelos Termos de Formosa, Planaltina e Cavalcante.

1940 - Segundo o Decreto-lei estadual núme­ro 3.174, de 3 de março de 1940, os Termos de Formosa, Planaltina e Cavalcante passaram a constituir a Comarca de Formosa.

1943 - Esta situação permanece de conformidade com o quadro da divisão territorial, administrativo e judiciária do Es­tado em vigor no qüinqüênio 1944-1948, fixado pelo Decreto-lei nº 8.305, de dezembro de 1943.

1952 - Pela Lei municipal nº 44, de 29 de dezembro de 1952, foi criado o distrito de Cabeceiras e restaurado o distrito de Santa Rosa, de acordo com a Lei municipal nº 47, de 30 de dezembro de 1952, permanecendo atualmente com o distrito da sede e os de Cabeceiras e Santa Rosa.

1953 - De acordo com o Art. 8 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, Formosa perdeu o termo de Planaltina, o qual se tornou Comarca. Segundo a Lei nº 782, de 1º de outubro de 1953, foi criado o município de São João d’Aliança, com sede no distrito do mesmo nome, pertencente ao município de Formosa, passando a constituir Termo da Comarca de Formosa.

Esta é a situação constante da Lei nº 954, de 13 de dezembro de 1953, que fixou a divisão administrativo-judiciária do Estado, a vigorar no qüinqüênio 1954-1958. A Comarca de Formosa se compõe dos Termos de Formosa, Cavalcante, São João d’Aliança e Veadeiros. Nove vereadores em exercício compõem o Legislativo Municipal. O seu atual Prefeito é o Sr. Pedro Monteiro Guimarães.

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Fonte de Consulta:
IBGE. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Rio de Janeiro, 2000. Vol.18, pp.167-168.

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