
O PALÁCIO CAPANEMA - Rio de Janeiro RJ
Mario Bonomo
O interesse de Getúlio Vargas pela arquitetura moderna foi por intermédio de Gustavo Capanema. Seu ministério pôde ter uma posição de vanguarda, ao preferir a construção de um prédio de linhas modernas, ao estilo marajoara do vencedor. No entanto, sua influência se restringiu à esfera de seu ministério. A arquitetura aplicada do Ministério da Educação e Saúde não teve vez em outros prédios oficiais. Assim quatro grandes prédios: o da Central do Brasil, o do Ministério do Exército, no Campo de Santana, e os prédios do Ministério da Fazenda e do Ministério do Trabalho, ao lado do Ministério da Educação e Saúde são de estilos que tende ao art-déco ou a alguns prédios norte-americanos.
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O prédio do antigo Ministério da Educação e Saúde construído entre 1937 e 1945, no Rio de Janeiro, marcou o início da arquitetura moderna no país. Um concurso de arquitetura, em 1935, definiu o programa para esse novo prédio. O vencedor foi o arquiteto Arquimedes Memória, então diretor de Escola Nacional de Belas Artes, que concorreu com um projeto inspirado em estilo eclético que alternava elementos da antiga arquitetura mexicana com motivos decorativos marajoaras.
Ao ser proclamado o resultado, ocorreram muitas críticas. Um grupo influente de arquitetos solicitou ao ministro Gustavo Capanema que desistisse do projeto vencedor, pois ele não correspondia ao espírito renovador da época. Capanema pagou o prêmio, e nomeou uma comissão integrada por Lúcio Costa, Carlos Leão, Afonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcelos, Jorge Moreira e Oscar Niemeyer para elaborar outro projeto.
Durante a elaboração surgiram algumas dúvidas. A comissão considerou ser oportuna a opinião de Le Corbusier ao Brasil para ajudar na conclusão do projeto. A participação do arquiteto francês fez com que fossem feitas diversas modificações importantes, estas deram ao projeto seu aspecto definitivo.
O prédio tornou-se o símbolo inicial da arquitetura moderna que projetou o país no mundo. Em sua decoração, o prédio conta com painéis de azulejos de Portinari, esculturas de Bruno Giorgi e jardins de Burle Marx. Sustentado por enormes colunas, chamadas de pilotis. As linhas retas predominantes marcam o aspecto exterior do prédio. As quatro fachadas, duas mais largas envidraçadas, uma com protegido por brise-soleil e duas laterais mais estreitas revestidas de um tipo de granito denominado carioca, extraído de uma das pedreiras da cidade, daí o nome.
Graças a esta concepção a construção deixava livres os espaços em sua volta e fazia com que permitisse a circulação em diversos sentidos por baixo de seus pilotis. Posição que marcou de forma definitiva os projetos de arquitetura oficiais, sendo o estilo moderno posto em prática em todas as obras públicas. Modelo de arquitetura adotado nas principais obras governamentais posteriores, como o conjunto da Pampulha, erguido na década de 1940, em Belo Horizonte; e, depois Brasília, inaugurada em 1960.
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referência bibliográfica
SANTOS, Paulo. Quatro séculos de arquitetura. Rio de Janeiro: IAB, 1981. p.109.